sábado, 26 de abril de 2008

Errar é humano, e o juiz, é?

É comum quem gosta de futebol ligar a TV no domingo à noite, e acompanhar as mesas-redondas esportivas para se informar sobre os jogos do fim de semana. Mas isso está se tornando cada vez mais difícil. E não é porque na televisão os espaços para programas esportivos estão escassos, pelo contrário, hoje em dia cada vez mais emissoras buscam colocar o esporte em sua grade devido a grande audiência.

Está ficando difícil porque cada vez menos se falam dos jogos, preferem falar do juiz. Após o escândalo do árbitro Edílson Pereira de Carvalho descoberto durante o Campeonato Brasileiro de 2005, em que ele recebia dinheiro para beneficiar certos clubes em algumas partidas, a arbitragem brasileira caiu em total descrédito. Perderam o direito de errar, e sendo assim, monopolizam a discussão sobre futebol durante os programas.

Os programas esportivos tratam, do início ao fim de polêmicas que envolvem a arbitragem, esquecendo o que se passa durante os 90 minutos dentro do campo. O aspecto de esportividade que mantém viva a paixão pelo futebol, que é o de vencer ou perder, está sendo deixado de lado, e muito disso por causa da própria TV.

Erros de arbitragem sempre existiram, mas antigamente os jogos contavam com duas ou três câmeras, que não mostravam detalhadamente tudo que ocorria em campo como atualmente. A cobrança sobre os árbitros hoje é uma crueldade imensa. São diariamente julgados por comentaristas, torcedores, jogadores e dirigentes que têm a possibilidade de ver os lances duvidosos de diferentes ângulos pela TV, e ainda assim não chegam a um consenso.

Diferente disso, o árbitro tem uma fração de segundo para definir o lance, e apenas do ângulo em que ele está posicionado dentro de campo. Isso não é levado em consideração na hora das críticas. O árbitro acaba por ser a desculpa mais utilizada pelos clubes para eventuais derrotas. Não se perde mais por ter sido inferior ao adversário.

Estudos feitos recentemente mostram que o juiz toma em média 320 decisões por partida. A menos que o jogo passe a ser apitado por um robô é quase impossível que um ser humano acerte esse enorme número de decisões com a pressão que carrega durante toda a partida. Mas parece que esqueceram que o juiz é um ser humano, e não uma máquina.

Então o que fazer? Tirar as câmeras dos jogos? Voltar às épocas passadas com duas ou três câmeras nos estádios? Não, apenas ter bom senso e saber que hoje existem dois jogos: jogo que se vê pela TV com dez, vinte, trinta câmeras, e o jogo que se vê dentro de campo, sem tais recursos. Errar é humano, mas para os juízes de futebol essa frase não se aplica mais.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O milagre da aprovação

Ilustríssimo Senhor Presidente, primeiramente venho lhe dar os parabéns por conseguir o seu maior índice de aprovação desde 2003. Obter este nível de popularidade com 58% de brasileiros o avaliando positivamente, segundo dados da pesquisa CNI/Ibope, depois de tantos fatos controversos ao longo do seu governo, é algo que, no mínimo, mereça muitos aplausos.

Afinal, foi no governo do senhor que explodiu um dos maiores escândalos de corrupção do Brasil nos últimos anos, o Mensalão. Dizem que a memória do brasileiro é curta, e diante de pesquisas como essa, a frase se encaixa perfeitamente. Os brasileiros realmente se esquecem muito fácil das coisas. Hoje, apenas três anos depois, ninguém mais parece se lembrar da “mesada” paga aos deputados para aprovação de projetos de interesse do Poder Executivo, ou até se lembram, mas acreditam que justo o senhor não sabia de nada.

Conseguir esse nível de aceitação, mesmo gastando aproximadamente 57 milhões de dólares na compra de um avião presidencial, para rodar o mundo em viagens internacionais com mais conforto, é algo quase inacreditável. Porque, enquanto isso, milhares de brasileiros não têm sequer o dinheiro da passagem para se locomover de ônibus de um bairro para o outro, quando têm, são obrigados a enfrentar condições desumanas de lotação e atraso.

Aliás, outros milhões também se foram no Programa Fome Zero, que antes mesmo de ser criado, em três meses, R$ 42 milhões dos cofres públicos foram gastos para cobrir despesas com viagens, logística e estudos. Sem contar a farra dos cartões de crédito corporativos, nessa brincadeira se vão milhões apenas em despesas de pequeno porte. Parece-me muito dinheiro sendo gasto de forma desordenada, em um país que enfrenta tantos problemas de educação, segurança e saúde, o senhor não acha? A maioria da população, não.

Como já foi declarado pelo senhor, para ser presidente não precisa ter diploma, e sim experiência para saber lidar com o mundo político. Uma declaração polêmica, que pode ter algum sentido, mas para se manter presidente e governar de forma tranqüila é preciso algo mais, que hoje certamente o diferencia do resto dos governantes, afinal ninguém em meio a esse grande nível de corrupção sobreviveu com tamanha aceitação.

Acredito que milhares de brasileiros, fora desses 58% que o aprovam, gostariam de saber do senhor, qual o segredo para conseguir tamanho índice de popularidade apesar de todas essas ocorrências, que correspondem a uma minoria de escândalos e denúncias envolvendo o seu governo. Obter esse índice, apenas por um bom desempenho econômico do país ao longo desses anos como conclui a pesquisa, não soa como uma explicação plausível para o aumento do índice, então aguardaremos ansiosamente mais um de seus pronunciamentos em rede nacional, dessa vez para nos falar do milagre da aprovação.

Um grande abraço companheiro, e boa sorte!

Dos gramados para a sala de aula

Sonhos idealizados deram lugar a objetivos concretizados

Menino de origem humilde, que cresceu com dificuldades, e que desde cedo sempre teve como meta ser um grande jogador de futebol. Com essas palavras pode se iniciar falando de milhares de garotos em todo o Brasil, até porque querer ser jogador por aqui não é novidade, e sim o sonho de dez entre dez crianças, e com esse capixaba quase baiano não foi diferente.

Nascido em Aracruz no dia 1º de agosto de 1974, logo foi morar com seus pais em Itamaraju, na Bahia, terra onde vivia na época toda sua família. Lugar onde cresceu ao som do swing da música, da dança, da comida apimentada, com sotaque arrastado, meio devagar, enfim, todas as marcantes características tipicamente baianas que acabaram por construir a personalidade de Rodrigo Rossoni.

Dessa infância com os pés no chão, correndo atrás da bola no futebol com os amigos, ou se divertindo nos banhos de chuva pela rua, foi crescendo então o caçula Rodrigo, irmão mais novo de Wagner, Ronnie, Giovani e Marta Regina, todos eles filhos do caminhoneiro Ailton e da costureira Carmem.

Na Bahia, ele teve contato com todo o tipo de gente, de diversas etnias e classes sociais, seja brincando, estudando ou fazendo qualquer outro tipo de atividade. Dessas relações foram construídas as amizades de verdade, que Rossoni teve que deixar para trás em 1993, quando se mudou para Vitória atrás de realizar seu sonho de menino, ser jogador de futebol.

Chegou aqui no seu último ano do ensino médio, e pela primeira vez na vida teve contato com uma escola particular, graças a uma bolsa de 80% de desconto nas mensalidades. Situação difícil, dinheiro contado, irmãos e pais se desdobrando para dividir os gastos e dar tranqüilidade para ele estudar, e tentar jogar a Copa A Gazetinha, competição de futebol para garotos, realizada no Espírito Santo.

Mas aí surgiu um grande empecilho: A competição tem idade limite de 15 anos, e Rossoni já completara 16 naquela altura. Foi quando ele e toda a família perceberam que as dificuldades para se tornar um jogador e seguir no futebol seriam enormes, então ele teve de abandonar o seu sonho, se dedicar exclusivamente aos estudos e passar no vestibular.

Nesse novo desafio em sua vida, ele teria que buscar primeiramente um curso com o qual tivesse identificação, e lendo tudo o que já foi escrito até aqui, chega-se à conclusão de que Rossoni optaria por Educação Física, claro, mesmo que não seja um curso que trate exclusivamente do futebol, estaria ligado ao esporte e poderia levá-lo mais a frente, a uma nova relação com o futebol, não mais como jogador, mas numa outra função. Quem pensou assim, enganou-se.

No pré-vestibular ele se interessou pelo Jornalismo, pois Rossoni queria fazer reportagens e conhecer novas realidades. Então, em 1994, foi aprovado no vestibular para Comunicação Social, na Ufes. Já dentro da Universidade ele conheceu o que seria sua grande paixão dali em diante, a fotografia.

A forte capacidade de comunicação da fotografia, logo atraiu Rossoni, que cada vez mais foi se ligando a ela. Como sempre gostou de discussões em torno de problemas sociais, ele viu na fotografia um meio de se incluir e contribuir. Durante seu período acadêmico ele realizou trabalhos como “Signos da Fé” ensaio fotográfico sobre a Festa da Penha, padroeira do Estado e "Andanças na Ilha".

Em 1997, ele desenvolveu seu Trabalho de Conclusão de Curso, TCC, “Um Olhar Sobre a Infância”, revelando fotos que mostravam a exploração de crianças em carvoarias e canaviais no Estado. Formado, esse trabalho abriu portas para ele, que viria a trabalhar em grandes jornais como A Gazeta e Gazeta Mercantil.

Mas um convite mudaria de novo sua história. O convite da Faesa para virar professor, fez com que Rossoni abandonasse o jornal A Gazeta e seguisse por um novo rumo, outro desafio que surgia em sua frente. Nesse mesmo período passou nas provas para o mestrado, e talvez por isso também tenha aceitado o desafio de virar professor, pois lhe possibilitava voltar a estudar. Hoje ele faz doutorado.

Sua ligação com a fotografia não estava fadada ao esquecimento, além de dar aulas da disciplina na faculdade, ele continuava a trabalhar como free lancer para outros veículos do Estado. Sempre disposto a ajudar, na Faesa ele também se ligou ao projeto Rumo à Estação Cinema (REC), onde participa da coordenação do evento de vídeos Universitários.

Com uma dedicação sempre muito grande no que se propõe a fazer, ele certamente faria qualquer outra coisa muito bem, por isso, o futebol pode se lamentar por ter perdido um grande jogador e a comunicação agradecer por ter ganhado um grande profissional.